Por que morar sozinha?

11 nov

Quando a Mariana Serafini propôs mudar um pouco a linha do Comadres, uma das ideias era a de trazer algumas reflexões e experiências, aprendizados diversos, etc. Enfim, acho que a proposta da comadre-fundadora era amadurecer um pouco os debates aqui, falar um pouco mais da Vida, o Universo e Tudo mais – mas, sem perder o charminho e jamais esquecer as comadrices, é claro. Bem, então, nessa linha de análises e papos-cabeça (ou seria autoajuda?), hoje eu queria comentar um pouco sobre o que é essa saga de morar sozinha.

Para contextualizar, eu tenho 26 anos (quase 27! Oh, God…) e moro comigo mesma há pouco mais de um ano. Antes disso, morei por um ano com um ex-namorado, o que, resumindo, significa que saí da casa dos meus pais aos 24.

Apesar de os meus pais morarem na mesma cidade que eu, eu nunca cogitei voltar para a casa deles – e, frequentemente, sou questionada por isso, por diversas pessoas, em diversas situações. Isto posto, chegamos ao ponto que eu queria.

É claro que eu sinto falta da comodidade da casa dos meus pais. É óbvio que pesa (e muito!) para mim o pagamento de todas as contas – entre elas, aluguel e condomínio. É claro que eu sinto falta da comidinha da mamãe sempre pronta e de encontrar minhas roupas limpas e passadas, sem eu ter de fazer o menor esforço. É óbvio que fico extremamente carente quando estou doente e preciso buscar meu próprio remédio.

E agora... comprar um sapato novo ou pagar a conta de luz?

E agora… comprar um sapato novo ou pagar a conta de luz?

É claro que às vezes eu paro para fazer as contas e concluo que poderia estar economizando muito, se morasse com minha família e não precisasse sustentar tudo sozinha. Eu sei de tudo isso e muito mais. Afinal, tudo na vida tem seu preço. Ou, como diria o Tio Ben ao jovem Spiderman: “com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades”.

Mas  quero contar a vocês sobre o que isso significa para mim – e deve significar para muita gente por aí. E eu nem vou entrar no mérito da liberdade de fazer o que eu bem quero, do meu jeito e a meu tempo. Nem da sensação de independência com que muitos sonham. Isso tudo é muito óbvio. Quero ir além.

Pois bem. Apesar de todos os pesares já elencados acima, posso afirmar sem sombra de dúvidas que morar sozinha me trouxe um crescimento pessoal incomparável. Por mais que eu trabalhe e procure arcar com minhas próprias despesas desde novinha, pagar o meu próprio “feijão com arroz” me transformou em outra pessoa. Foi uma verdadeira metamorfose na minha vida.

Administrar uma casa, fazer com que tudo esteja sempre em ordem, tomar todas as providências, pagar as contas em dia, manter uma rotina de limpeza/organização, fazer supermercado, entre outras incontáveis atividades inerentes à vida de alguém que mora sozinho faz com que a gente entenda melhor a dinâmica do mundo e até mesmo as implicações de se ter uma família. E vou além: diria que dá sentido a inúmeros ensinamentos (e broncas) que ouvimos dos pais ao longo da vida.

Hoje posso dizer sem falsa modéstia que me basto enquanto pessoa, que me sustento, que cuido da minha própria vida, que sei exatamente do que uma casa precisa, que aprendi a eleger prioridades e que me viro em qualquer lugar. Talvez, se eu ainda morasse com meus pais, eu levaria muito mais tempo para saber de tudo isso. Não que eles não tenham me ensinado, mas algumas coisas a gente precisa comprovar na prática e, muitas vezes, com uma dose de sacrifício. Porém, tenho consciência, também, de que estou só começando. Porque este aprendizado é progressivo. É um processo contínuo – e irretroativo.

Algumas pessoas, às vezes, comentam que acham “muito deprimente” morar sozinho. Bem, eu poderia escrever um outro texto para falar apenas sobre solidão, sobre o quanto é preciso estar psicologicamente bem para saber ficar sozinho (e gostar de estar só), sobre o que significa ter o seu espaço, mas, não vou me prolongar muito e nem misturar os assuntos aqui. (Pensando bem… já escrevi sobre isso)

Só acho que, resumidamente, estar sozinho – e principalmente morar sozinho – é uma oportunidade única de autoconhecimento e de descoberta e definição de quem somos e do que gostamos realmente. Sim, é maravilhoso morar com as pessoas que amamos. Mas, desde que saibamos reservar um tempo para nos dedicarmos àqueles que são importantes, não tem nada de egoísta em se morar sozinho.

Se eu pudesse, portanto, dar um conselho a todos os que não tiveram a experiência ainda, eu diria, sem titubear: more sozinho. More sozinho por pelo menos um tempo. Não significa que você tenha de ficar nessa condição para sempre. Mas, permita-se ter este aprendizado. Que seja como um “estágio”. Corte o cordão umbilical. Oportunize-se aprender a se virar. Tente andar com suas próprias pernas. Pois, uma vez que você obtiver esta segurança e este equilíbrio sozinho, nada mais no mundo te derruba.

É o que eu tenho a dizer.

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Uma resposta to “Por que morar sozinha?”

  1. annedsserafim 18 de novembro de 2013 às 6:39 pm #

    Morar sozinho deve ser uma experiência interessante. Confesso que é um dos meus sonhos. Não tenho problemas na familia, sou muito amiga da minha mãe, mas isso não quer dizer que não tenha vontade de viver a experiência de ter minha própria casa, de mandar e desmandar do jeito que eu quero. É uma questão de aprendizado, mesmo. 🙂

    Adorei o post.

    Beijos!

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